Wednesday, 5 November 2008

da Corneta


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Relato de um episódio do dia de Filipe, que me pediu que o fizesse porque se encontra, como o próprio diz, "netless".

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Uma e um quarto da tarde. Filipe Monteiro de estomago vazio, a sonhar com um bife com batatas fritas, à espera do autocarro pelos lados de Aveiro. Enquanto espera, vê o seu sossego importunado por um senhor que incluímos facilmente na categoria de terceira idade. Ora, segundo relatos do Filipe (por telefone), a avaliar pelo volume da saudação de "Boas Tardes" (não sei pormenores, mas, pela descrição que tive do idoso, só pode ter dito isto no plural), tinha já um grau avançado de surdez. Anyway, é sempre bem-vinda a cordialidade barra amabilidade da população aposentada. Mas o leitor não pense que toda esta faixa etária transborda boa-educação.
Adiante..
Estava o Filipe (e agora permitam-me que imagine que tenha dado um passo para se aproximar do senhor idoso, de modo a analisá-lo melhor, prevendo já que dali viria algo susceptível de ser relatado com algum humor, que foi o caso) sozinho com o senhor "Fulano de Tal" (vou chamá-lo "Fulano de Tal" para facilitar), quando este pergunta:
-Ó rapaz, v(b)ais apanhar o bus (bus foi a palavra do Filipe; não sei se ele terá dito bús, à português, mas desconfio que sim) para Ílhav(b)o? [Note-se que substituí os vês pelos bês porque o senhor é do Norte]
Antes de responder, Filipe conclui, diz-me ele, que Fulano de Tal afinal não era surdo, a não ser que tivesse acabado de ligar o aparelho; tinha apenas desejado uma boa tarde (se disse no plural, desejou logo para as tardes da semana toda o que é, no mínimo, simpático) com demasiado entusiasmo.
Filipe prontamente responde:
-Não irei para Ílhavo. Irei para Quintans.
Neste momento houve, naquele espaço, duas reacções diferentes. Fulano de Tal desilude-se, pois compreende que não teria companhia na sua viagem. Filipe deixa transparecer um brilhozinho nos olhos.. percebemos facilmente porquê.
Mas Fulano de Tal não ia deixar o assunto sucumbir ali. Não havendo considerações a tecer sobre o tempo, que tem sido de uma medianiazinha incomodativa, lembra-se de falar sobre as horas. Filipe estava já assustado com o ar pensativo de Fulano de Tal, que o interpela:
-Ó cachopo, que horas são isto?
-São 13h24 (isto!), responde Filipe, com um rigor típico de quem usa relógios digitais porque não é capaz de ver as horas nos outros ou então com uma obstusidade característica de quem acha piada não dizer horas "redondas".
Fulano de Tal olha para o relógio que tinha no pulso esquerdo e diz: [pede-se aos menores (claro que eu sou excepção) que vão fazer a sua vida para outro lado; para esses, a história acaba aqui]
-Aaaah meu filho da p*t*!!! Estás atrasado!
Fascina-me especialmente da parte em que ele culpa o relógio, que é tão inocente no meio disto como eu. Confesso que tenho pena do relógio. Vou chamá-lo Zé. Acho que merece um nome.
Perante as palavras de Fulano de Tal, Filipe terá rido para dentro, mas manifestou apenas estranheza.
Fulano de Tal tenta acertar Zé mas rapidamente desiste, uma vez que os seus dedos eram (e são; presumo que Fulano de Tal ainda se econtre entre nós) muito grossos.
-Jov(b)em! Não sou capaz! "O meu Zé tem a vara curta." (remeto para um música popular portuguesa)
É neste momento que Filipe, não sabendo o que responder, se prontifica para fazer o acerto do relógio de Fulano de Tal. Este, todo sorridente, passou Zé para as mãos de Filipe.
Filipe foge a correr com o Zé de Fulano de Tal.
Ah ah não foi mas podia ter sido, se se tratasse de outra pessoa. O leitor não se esqueça que Filipe é um bom samaritano.
Enquanto Filipe acertava o Zé de Fulano de Tal, este ia pronunciando todo um conjunto de injúrias a Zé, que nunca respondia, por incapacidades vocais. Havia de ser comigo! Dizia ele:
-Ah pois! O c*b*ã* de m**da estava atrasado.
No fim de cumprida a boa acção de Filipe, este devolve Zé a Fulano de Tal, que o aceita com grande satisfação.
Chega o autocarro e Filipe e Sincrano e Beltrano, que entretanto tinham chegado à estação, entram. Zé e Fulano de Tal ficam à espera do próximo, provavelmente a fazer as pazes.. Se eu fosse Zé, não facilitava. Pessoas como Fulano de Tal conheço eu bem. Damos o dedo, querem logo o pé.
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Fim da estória.

9 comentários:

FilipeMonteiro said...

Acho que este também merece um comentário!

Ps: tenho internet, pois ainda me encontro na univ., num dos (lentos) computadores duma sala de estudo.

Pss: os da Biblioteca, já são bem melhores! Aliás, foi lá que li o texto pela primeira vez!

Sofia said...

Um pouco menos erros ortográficos era tão bonito...! Ainda só li metade. Lerei o resto de seguida.

Sofia said...

Acebei agora. Está mesmo engraçado!

Nônô said...

Erros onde???

Sofia said...

Em algumas linhas, nomeadamente nas palavras "inportunado" e "viajem"...

Nônô said...

Upss..! Isso do inportunado foi sem querer mas o da viajem sou eu que sou burra! Uma vez o tema do teste de português era Viagem e eu não sabia escrever e no teste só estava viajar. Inventei e acertei mas já me esqueci outra vez´. Acho que é daquelas palavras que nunca vou conseguir escrever. Temos pena!

Nônô said...

Aaaah acho que já percebi. Que parvoíce. Estava a corrigir e veio-me à cabeça. Verbo no Conjuntivo: viajem (que eles..); Substantivo: viagem! Sou tão burra e peço desculpa.

Direito said...

Não faz mal. Afinal o texto está genialíssimo! Têm de repetir a graça...

Sofia said...

Não faz mal. Afinal o texto está genialíssimo! Têm de repetir a graça...